Apresentação

Unindo diversas experiências clínico-pedagógicas de seus diretores, o Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP) iniciou suas atividades em 1980. Gradativamente, foi estruturando uma identidade e articulando uma proposta própria dentro da crescente complexidade do campo psicanalítico paulista.

Em 2018, completa 38 anos trabalhando na investigação clínica, na transmissão e na divulgação da Psicanálise. Em 1997, a instituição tornou-se oficialmente uma Organização Não-Governamental (ONG), com o objetivo de criar uma estrutura que viabilize o desenvolvimento de projetos, adequando os nossos instrumentos teóricos e técnicos às necessidades da comunidade.

Três eixos norteiam a proposta do CEP

  1. Uma formação pluralista que inclua todos os discursos desenvolvidos no campo conceitual freudiano. Reconhecemos que essa troca entre os discursos é um fenômeno profundamente enriquecedor no desenvolvimento de um referencial clínico-teórico singular e próprio a cada sujeito-analista. Assim, nossa ética deixa de estar submetida ao poder de um dogma único, seja teórico, seja institucional.

 

  1. A consideração da Psicanálise como ciência independente, com seu próprio objeto de estudos, não subordinada a nenhum outro campo científico e, consequentemente, não sendo propriedade de nenhuma ciência-profissão-corporação, mas território específico, requerendo uma formação própria.

 

  1. A compreensão da formação como a integração do instrumental conceitual-experiencial que capacite a operar a escuta, não como atividade restrita a um ofício (consultório), mas levando em conta que seu objeto de estudo está presente em toda situação humana, tornando a Psicanálise um instrumental potencializador nas diversas práticas sociais.

Ernesto Duvidovich
Walkiria Del Picchia Zanoni

 

Ano 2018

Caros colegas e amigos:

É com grande prazer que apresento a vocês… esta espécie de “ritual anual” que sustento há alguns anos, sempre por volta desta época, quase no verão, e que tem me proporcionado grandes prazeres.

Trata-se de bater o martelo. Ponto final. Após um ano participando ativamente tanto em contextos da instituição quanto em conversas intensas com colegas e amigos da comunidade psicanalítica para trabalhar na construção do projeto anual, pela primeira vez me deparo com o conjunto de atividades, gerado ao longo destes trabalhos, como “unidade”. E sempre me surpreendo com o mostrengo resultado.

Quando escrevo estas linhas de apresentação fica evidente que todos os nossos equipamentos já estão prontos para empreender o próximo trecho da nova jornada. Escrevê-las também significa que todos os participantes estão a postos e dispostos a assumir suas posições para enfrentar os desafios do próximo trecho.

Cabe a mim fazer neste exato momento uma pequena mas rigorosa vistoria: meu ritual consiste, primeiro, em ficar observando, quase contemplando, o conjunto unificado, segundo, em uma leitura detalhada verificando a sequência, as posições de cada peça até me encontrar debruçado sobre cada um dos fragmentos do todo: conteúdos, formas, equilíbrios, cores, tamanhos, etc. Chego aqui ao ápice do prazer da minha pausa: a sensação de subir o ponto alto de onde posso olhar para atrás e enxergar longe a visão das trilhas anteriores, bifurcações e conexões criando figuras complexas, de onde viemos, aonde chegamos, e um leve vislumbre do rumo futuro, em contato com uma sequência infinita.
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Destaco duas novidades para 2018: O primeiro Simpósio da Rede de Atendimento Psicanalítico – Clínica do CEP abordará em setembro dois dias de discussão de temas pertinentes à experiência de 30 anos de trabalho em quatro mesas de debate com temas diferentes.

Iniciamos um novo dispositivo para agregar os contextos de aprimoramento e de ampliação de recursos para escuta: A Oficina Clínica. Propondo o trabalho intenso com “temas sensíveis”. O tema sensível deste ano será “O início do tratamento”.

Há como sempre a expectativa de continuarmos sendo surpreendidos. Infinitas novidades. Todos nossos encontros em qualquer contexto tem o fantástico potencial de nos provocar, seja nos conteúdos enunciados, seja no ineditismo e originalidade do acontecimento, mas principalmente nas entrelinhas, criatividade singular para confrontarmos os novos desafios.

Bato o martelo. Aproveitem!
Ernesto Duvidovich