Apresentação

Unindo diversas experiências clínico-pedagógicas de seus diretores, o Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP) iniciou suas atividades em 1980. Gradativamente foi estruturando uma identidade e articulando uma proposta própria dentro da crescente complexidade do campo psicanalítico paulista.

Em 2016, completa 36 anos trabalhando na investigação clínica, na transmissão e na divulgação da Psicanálise. Em 1997, a instituição se tornou oficialmente uma Organização Não-Governamental (ONG), com o objetivo de criar uma estrutura que viabilize o desenvolvimento de projetos, adequando os nossos instrumentos teóricos e técnicos às necessidades da comunidade.

Três eixos norteiam a proposta do CEP
1. Uma formação pluralista, que inclua todos os discursos desenvolvidos no campo conceitual freudiano. Reconhecemos que essa troca entre os discursos é um fenômeno profundamente enriquecedor no desenvolvimento de um referencial clínico-teórico singular e próprio a cada sujeito-analista.
Assim, nossa ética deixa de estar submetida ao poder de um dogma único, seja teórico, seja institucional.

2. A consideração da Psicanálise como ciência independente, com seu próprio objeto de estudos, não subordinada a nenhum outro campo científico e, consequentemente, não sendo propriedade de nenhuma ciência-profissão-corporação, mas território específico, requerendo uma formação própria.

3. A compreensão da formação como a integração do instrumental conceitual-experiencial, que capacite a operar a escuta, não como atividade restrita a um ofício (consultório), mas levando em conta que seu objeto de estudo está presente em toda situação humana, tornando a Psicanálise um instrumental potencializador nas diversas práticas sociais.

Ernesto Duvidovich
Walkiria Del Picchia Zanoni

 

Ano 2017

Caros amigos e colegas,
É com grande satisfação que apresento a vocês o feliz resultado do nosso esforço anual o qual finalmente decanta nesta programação para o ano de 2017.
Ante a vastidão de assuntos relevantes e inquietações legitimadas pelo crescimento e avanço das nossas práticas que exigem a sustentação de bons espaços de nutrição teórico-técnica e, principalmente, a constante alimentação nas boas companhias, este lento e cuidadoso trabalho é resultado do exercício de paciência e renúncia.
Vocês encontrarão, nos diversos dispositivos anunciados, um recorte excelente da convocação das mais vivas e atuais pesquisas e das mais contemporâneas representantes das diversas tradições do campo psicanalítico.
É também muito feliz que olho para esta evolução ao longo do nosso percurso e constato o nível de amadurecimento que temos atingido na criação e sustentação deste “coletivo de singularidades” capaz de promover estas boas companhias que em nossas solitárias aventuras clínicas se tornam tão necessárias.
A construção de um coletivo democrático o suficiente para se manter capaz de continuar fértil a “propagação da peste”, delicado cultivo dos diferentes desejos de analista, enfrenta constantes desafios.
De um lado, a velha tentação dogmatizante que habita em cada um dos participantes de um processo institucional complexo, tendência às homogeneizações discursivas onde, a repetição eliminaria o exercício da criatividade necessária à atividade de escuta clínica.
Por outro lado, o crescimento exige um nível de organização funcional das nossas atividades, (burocratização) que poderia neutralizar nosso esforço de balização de um contexto onde a presença do Inconsciente garante nossa inclinação por uma pedagogia psicanalítica.
Estou animado e satisfeito com os resultados que a insistência no pluralismo tem propiciado para cada um de nós: predomina um sintoma imprescindível ao nosso ofício – analistas só podemos escutar em nome próprio.
Compartilho com vocês a observação desta bela paisagem, com muita gratidão e reconhecimento a cada um de vocês que possibilitam este estado de coisas: não parece uma coreografia de passos uniformes e sim um verdadeiro balé de heterogeneidades.

Estão todos convidados!
Ernesto Duvidovich