Apresentação

Unindo diversas experiências clínico-pedagógicas de seus diretores, o Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP) iniciou suas atividades em 1980. Gradativamente, foi estruturando uma identidade e articulando uma proposta própria dentro da crescente complexidade do campo psicanalítico paulista.

Em 2020, completa 40 anos trabalhando na investigação clínica, na transmissão e na divulgação da Psicanálise. Em 1997, a instituição tornou-se oficialmente uma Organização Não-Governamental (ONG), com o objetivo de criar uma estrutura que viabilize o desenvolvimento de projetos, adequando os nossos instrumentos teóricos e técnicos às necessidades da comunidade.

Três eixos norteiam a proposta do CEP:

  1. Uma formação pluralista que inclua todos os discursos desenvolvidos no campo conceitual freudiano. Reconhecemos que essa troca entre os discursos é um fenômeno profundamente enriquecedor no desenvolvimento de um referencial clínico-teórico singular e próprio a cada sujeito-analista. Assim, nossa ética deixa de estar submetida ao poder de um dogma único, seja teórico, seja institucional.

 

  1. A consideração da Psicanálise como ciência independente, com seu próprio objeto de estudos, não subordinada a nenhum outro campo científico e, consequentemente, não sendo propriedade de nenhuma ciência-profissão-corporação, mas território específico, requer uma formação própria.

 

  1. A compreensão da formação como a integração do instrumental-conceitual-experiencial que capacite operar a escuta, não como atividade restrita a um ofício (consultório), mas levando em conta que seu objeto de estudo está presente em toda situação humana, torna a Psicanálise um instrumental potencializador nas diversas práticas sociais.

Ernesto Duvidovich
Walkiria Del Picchia Zanoni

ANO 2020 – 40 anos!

Caros amigos e colegas,

Apresentamos aqui nossa programação completa para o ano de 2020.
Predomina nas inquietações que direcionaram o trabalho desse ano, para essa configuração do programa, a continuidade do compromisso com a produção de recursos de escuta clínica psicanalítica, nos diversos campos de atuação, para confrontar as condições atuais e futuras das manifestações de sofrimento humano.
Ao longo do século XX, a Psicanálise se ocupou de práticas clínicas consideradas por Freud impossíveis: o tratamento das psicoses e perversões.
Novas questões psicopatológicas nos ocupam no século XXI: tratamento da depressão, da melancolia, dos estados limite (borderline), e das diversas formas do autismo.
Uma série de novos campos de observação e intervenção vão se tornando presentes e enriquecendo a frequência e o avanço das nossas pesquisas e intervenções no Brasil. Encontraram ressonâncias destes trabalhos pioneiros nos conteúdos dos vários formatos de apresentação e convocações a participação das equipes de projetos.

Vocês notarão que mudamos o nome do Núcleo de Psicanálise com Crianças para Núcleo Psicanálise Infância e Adolescência com a intenção de incluir seminários teóricos, prática clínica e supervisões dirigidas também ao trabalho com bebês e adolescentes.
Também para esse ano, teremos mais um espaço de Oficina Clínica. E os temas sensíveis serão três: o início do tratamento, o percurso da análise e o final da análise.
Mais uma variedade de temas e abordagens, como amor, empatia, psicossomática, migrações, regressões terapêuticas e iatrogênicas, luto, esquizofrenia, rupturas culturais e traumas psicológicos, melancolia brasileira, adicções, laboratórios de escrita, literatura e Psicanálise, cinema e Psicanálise, e muito mais.

Em setembro de 2019, publicamos um primeiro anuário de Psicanálise Rumos com a intenção de fazer circular parte dos acontecimentos da instituição. Nesta edição, contamos com quase todo o conteúdo do primeiro Simpósio da Rede de Atendimento – Clínica do CEP, realizado em 2018. Um encontro bastante proveitoso e que nos motivou a um grande novo empenho para o próximo número. Estejam todos à vontade para propor textos que comporão o novo número: [email protected]br.

Em comemoração, faremos também uma festa. A data já está marcada e estão todos convidados! Vocês encontrarão neste livreto sob o nome de Jornada Cultural, evento este que, no Brasil, chamamos de Sarau.

Agradeço a todos os colegas, a equipe de trabalho, os colaboradores, e demais pessoas que, direta ou indiretamente, participaram desta construção. E, por fim, agradeço também aos colegas que não puderam se fazer presente este ano.

Aproveitem!

Ótimo ano para todos.

Ernesto Duvidovich