Seminário de Curta Duração

A Psicofarmacologia

Docente
Ariel Bogochvol
Data: 10/03/2021
Presencial

Sobre a Atividade

programa
O desenvolvimento da psicofarmacologia é um dos fatos mais marcantes da contemporaneidade. A introdução da clorpromazina por Delay e Denicker, em 1952, foi o momento de fundação da moderna psicofarmacologia e marco inicial de uma revolução que afetou a terapêutica, a clínica psiquiátrica, as ciências psicológicas, humanas, as neurociências e, por fim, nosso zeitgeist. Seria necessário retomarmos os passos desta extraordinária progressão e diferenciarmos os planos em que ela se deu.
Em 70 anos, desenvolveram-se diversos medicamentos – antipsicóticos, antidepressivos, ansiolíticos, antipanico, antifóbicos, antitoc, estimulantes, estabilizadores de humor – que modificaram profundamente a prática psiquiátrica e que repercutiram muito além da prática. Impossível, para qualquer discurso atual, permanecer alheio e ignorar os feitos e efeitos da psicofarmacologia e, de forma mais ampla, das neurociências. Como afirmava L. Ferry, “se as pretensões da neurobiologia se revelassem consistentes, toda a visão da humanidade ficaria mudada, a tal ponto que as ciências humanas, a começar pela psicanálise, mas também a filosofia clássica, não poderiam mais continuar a falar da loucura, da ética ou da liberdade como fazem hoje.” [i]
A questão da relação entre psicofarmacologia e psicanálise se insere no campo mais amplo das relações entre a psiquiatria e a psicanálise, objeto da reflexão de Freud desde o princípio. Diante da psicofarmacologia contemporânea, os psicanalistas adotam 4 posições básicas:

a) “a psicofarmacologia é um mito criado pela indústria farmacêutica”
b) “os psicofármacos são drogas e como tais produzem apenas estados de alteração de consciência ou estados de embriaguez”
c) “os psicofármacos agem, são eficazes, mas isto não tem qualquer importância para a psicanálise já que a psicanálise, por seus métodos e objeto, se distingue radicalmente da psiquiatria”
d) “os psicofármacos agem, são eficazes, e isto tem importância para a psicanálise, afetando seu campo que tem numerosos pontos de imbricação com a psiquiatria”. Os psicofármacos são um tema fundamental e não podem ficar nas mãos apenas dos psicofarmacologistas, psiquiatras biológicos, neurocientistas.
Como afirmava P. Fedida, “a pesquisa psicanalítica ganha mais, sem ceder em suas próprias exigências, em considerar a incidência dos novos psicotrópicos e em contribuir para a compreensão das mudanças que induzem, se não nos próprios processos, pelo menos em suas manifestações.” [ii]

Aula 1. Fato da Mídia, Economia, Ideologia, Política
fato da mídia; alarde; mídia leiga e científica; limites; tratamento do mal-estar na civilização; depressão, euforia, bulimia, anorexia, delírio, alucinação, angústia, medo, obsessão, desamparo, impotência, ejaculação precoce, timidez; a indústria farmacêutica, centros de pesquisa e centros universitários; investimentos; indústria florescente; informações; década do cérebro; biologização; psiquiatrização; ideologia e ciência

Aula 2. História da Psicofarmacologia
História; tempos imemoriais; as drogas e as culturas; luta pela felicidade, afastamento da desgraça; pharmakon; remédio, veneno e tintura; Moreau de Tours e o haxixe; Nieman e a cocaína; alucinógenos e os ritos; farmacopéia antes de 52; revolução psicofarmacológica; Delay e Deniker e a clorpromazina; Zeller e Selikoff e a iproniazida; Kuhn, e a imipramina; benzodiazepínicos; ISRS, ISRSN e ISRN; lítio; estimulantes; observação clínica e acasos; modelos científicos; neurotransmissão; sinapses; antipsicóticos, antidepressivos, estimulantes, ansiolíticos; estabilizadores de humor; amplo espectro

Aula 3. Psicofarmacologia e Psicanálise
psiquiatria e psicanálise; anatomia e histologia; monismo e dualismo; relações mente e corpo; psiquiatria biológica; epifenômenos; modelo clínico; psiquiatria sem psiquismo; CID 10 e DSM IV; psicanálise questionada; corpo e aparelho psíquico; apoio e pulsão; corpo biológico e erógeno; corpo e linguagem; o grande Outro superposição clínica e intersecção dos campos; esquizofrenia, mania, depressões, transtorno bipolar, transtornos ansiosos, impulsivos, déficit de atenção; formações do objeto a; real, simbólico e imaginário; retorno no real; modulações do gozo; posições doutrinárias; questões abertas

[i] Comte-Sponville,L.Ferry. – A Sabedoria dos Modernos, Dez questões para o nosso tempo Martins Fontes São Paulo,1999

[ii] Fedida, P.- A Química e o Psíquico – Boletim de Novidades Pulsional,n. 99

datas
quintas-feiras | 11, 18 e 25 de março

horário | 14h às 17h

carga horária
9 horas (3 aulas de 3 horas cada)

dirigido
a psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, profissionais das áreas da saúde, alunos, ex-alunos do Curso de Formação em Psicanálise.

preço
duas mensalidades de R$ 370,00
alunos do CEP: duas mensalidades de R$ 340,00

Informações
Modalidade:Presencial
Preço:2x R$ 370,00
Aluno CEP2x R$ 340,00