Seminário de Curta Duração

Deslocamentos contemporâneos. O que o analista tem a dizer sobre isso?

Docente
Caterina Koltai
Data: 11/03/2020
Presencial

Sobre a Atividade

programa
“O exílio de massa, a financeirização do mundo e a abolição das distâncias constituem os três grandes acontecimentos que se entrecruzam em nossa realidade contemporânea”. Ou dito de outro modo seria possível afirmar que a geografia das distâncias perdeu sua pertinência a partir do momento em que as migrações de massa destruíram as referências do perto e do longe, do aqui e do lá longe, do natal e do alhures, do eu e do outro? Meu objetivo, nesse mini-curso, é o de explorar essa afirmação de Levy (2005) para que possamos nos debruçar sobre esse mundo de deslocados que, segundo a Acnur contabiliza hoje em dia algo em torno de 65 milhões de pessoas, incluindo aí os migrantes, os refugiados e os exilados. Migração e exílio não são sinônimos, na medida em que estrangeiros, migrantes ou refugiados somos todos exilados, o exílio sendo uma metáfora da condição humana, razão pela qual o exílio tem algo particular, principalmente para um psicanalista, na medida em que só ele remete à dimensão inconsciente inerente à experiência humana, o único a designar os deslocamentos humanos, enquanto o de migração remete a todas as espécies animais e seus deslocamentos geográficos. O termo imigração por sua vez remete mais ao aspecto demográfico da questão. É esse quadro que tentarei abordar no nosso primeiro encontro.  No segundo, partindo da constatação de que desde os tempos mais remotos os humanos migraram e se exilaram, atravessando fronteiras reais ou imaginárias, seja para fugir dos avatares da História, seja para fugir à procura de melhores condições de existência para si próprios e seus descendentes, tentarei abordar algumas maneiras possíveis de se viver essa passagem que implica na perda da terra natal e da língua materna. Enquanto alguns são incapazes de fazer o luto da Pátria e da língua materna e se sentem incapazes de se sentir à vontade na terra e língua do país de acolhimento, outros conseguem enfrentar a perda e ultrapassar a melancolia, sendo capazes de transformar o lugar de acolhimento em lugar de vida. Tentarei aqui entender os efeitos subjetivos dessas rupturas, impostas ou escolhidas, entre elas, talvez a mais importante, o fracasso em subjetivar o traumatismo e transformá-lo em experiência pessoal, e o lugar do analista nesse trabalho de subjetivação.  No terceiro e último encontro a idéia é de abordar mais em profundidade a especificidade dos deslocamentos contemporâneos, no qual os migrantes vem cada vez mais sendo os depositários da própria representação do mal, aqueles sobre os quais projetamos tudo que não podemos suportar em nós mesmos. No trabalho com esses deslocados contemporâneos acredito na necessidade de uma proximidade maior que nas neuroses de transferência, e isso por inúmeras razões, dentre as quais a vergonha parece ser o afeto mais comum, em oposição à culpa e à angústia. Face a esse humano que se sente abandonado não apenas por seu grupo de pertencimento mas pela humanidade como um todo, o analista não pode repetir o crime e se contentar com a dita “neutralidade”, sua reponsabilidade residindo na necessidade e capacidade de ouvir a História que acompanha a história do sujeito, possibilitando pôr em relato uma história que não cessa de escapar. 

datas
quintas-feiras | 12, 19 e 26 de março

horário | 14h às 17h 

carga horária 9 horas (3 aulas de 3 horas cada) 

dirigido a psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, profissionais das áreas da saúde, alunos, ex-alunos do Curso de Formação em Psicanálise e profissionais interessados no trabalho com grupos nas instituições. 

preço duas mensalidades de R$ 370,00 alunos do CEP: duas mensalidades de R$ 340,00


Informações
Modalidade:Presencial
Preço:2x R$ 370,00
Aluno CEP2x R$ 340,00