Psicanálise e Poesia

Ferreira Gullar

Coordenadora
Rita Bícego Vogelaar
Data: 07/05/2009

Sobre a Atividade

Freud nunca pretendeu explicar a arte e sim se utilizou dela para tentar entender o mundo psíquico.

“Os artistas e os escritores criativos são aliados muito valiosos à pesquisa da psicanálise (…) Estão adiante de nós, gente comum no conhecimento da mente.”

Lacan confidenciava, fazendo uma brincadeira com a sua criação, o objeto a: “Só há a poesia, já lhes disse, que permite a interpretação. É isso que não atinjo em minha técnica. Não sou bastante Po(a)ta.”

A partir dessas duas concepções, a proposta é, por meio da poesia, pensar no que consiste o trabalho de um psicanalista passando pelos conceitos psicanalíticos de associação livre, transferência, direção do tratamento e desejo do analista. Em 2008, a poesia de Adélia Prado e Manoel de Barros nos ajudou nesse propósito. Neste ano trabalharemos com a ajuda dos poemas de:

FERREIRA GULLAR
Nasceu em São Luis, no Maranhão, em 10 de setembro de 1930. É poeta, crítico de arte, biógrafo, memorialista e ensaísta brasileiro. Em 2002, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2007, seu livro “Resmungos” ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano.

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

dirigido
a psicólogos, psicanalistas, estudantes e profissionais das áreas da saúde e afins.

data
sexta-feira | 08 de maio de 2009

preço
Até o dia 24/04/09: R$ 40,00
Após o dia 24/04/09: R$ 50,00