O Ineducável (A Dívida Para com a Infância)
Sobre a Atividade
programa
Infância é o nome de uma condição: a de termos nascido cedo demais, não apenas dos outros, mas também para os outros, abandonados aos outros, antes de nascermos para nós mesmos. Crescer, se tornar « grande » ,é ter que se separar dessa indeterminação nativa, se determinando a partir de – e contra – um fundo de excedente pulsional inicial, para nascer para a civilização (adulta).
O ponto importante é que o que é de início barrado, confiscado e sacrificado (a infantia dita) não é, entretanto, destruído: um resto de infância persiste, habitando secretamente a edificação adulta, como um no man’s land no « interior » da construção humana Uma voz muda, selvagem, que espera e às vezes desespera, sofre e pede para ser (construída, exprimida). A infantia não se reduz portanto a um « período » da vida: desse estrangeiro em sua casa a alma nunca estará quite.
Anna Freud comparava a infância abandonada de Marilyn Monroe com a experiência das crianças dos campos de concentração; ela sugeria que esse traumatismo era indissociável das forças autodestrutivas, que, sob o glamour da atriz, habitavam a mulher e faziam do seu caso um caso-limite, borderline, refratário finalmente a todo trabalho analítico. Mas para qualquer infans tudo é ferida, dor, abandono. Mas também procura, obstinação, senso persistente de uma dívida (de nascença).
A infantia é o e « ineducável »,dizia Sigmund Freud. Aí reside a sua força de resistência, indestrutível. Ela lembra e atesta que nós não nascemos já humanos, permutáveis, prontos para o uso e a troca (econômica).Ela é isto que, no humano, o excede, constitutivamente, irredutivelmente. Sua miséria e seu prodígio: é o que o faz delirar, sintomatizar, mas também pensar, criar, amar. Só há amor, no sentido forte do amor-paixão, na medida em que os adultos aceitam essa infantia neles.
Se é verdade que a opinião contemporânea está discreditando o amor, isso corrobora a ideia de que a infantia é hoje esse elemento incômodo,« infuncional », com o qual a nossa sociedade do padrão de desempenho não tem nada o que fazer, e do qual ela procura se e « liberar » o mais cedo possível, por todos os meios. Eis por que importa doravante fazer da anamnese da questão da infantia uma linha de resistêncía a esse « liberalismo ». A Psicanálise, o pensamento, a literatura nos ajudam hoje a traçar essa linha de resistência, na medida em que elas exigem um trabalho de si sobre si mesmo – incluindo sobre isso que, em si, é o outro de si: sua infância ineducável.
sábado | 14 de abril
horário | 09h30 às 12h30
dirigido
a psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, estudantes e profissionais das áreas da saúde
preço
até 02/04/12 | R$ 155,00
após 02/04/12 | R$ 175,00
